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domingo, junho 03, 2007

O melhor do frio

A maioria das pessoas detesta o inverno, por ser uma estação que traz o sofrimento da dificuldade de acordar cedo, de entrar e também sair do banho, de deitar na cama, de vestir-se, de enfrentar um trajeto até o trabalho e da indisposição e até tristeza que ficam algumas pessoas.

Mas, o frio também tem a parte boa:

Há o calor do abraço
As taças de vinho
O calor da lareira
Edredons
Mãos trocadas
Muitas pessoas vestem-se de modo elegante
Há um bucolismo nas matizes do dia
O sono mais profundo
Passa-se mais tempo com os familiares
Pizzas
Livros
Neve
Geada (ao menos a paisagem branca magnífica)
O calor humano
E dentre outras coisas, a preocupação de algumas pessoas em fazer sua parte ao próximo, doando agasalho (mesmo que algumas apenas o fazem quando há roupas velhas).
Fogueiras
Quentão
Pipoca
Cachecol

Namorar, amar, apaixonar-se e viver a intensidade calorosa de uma relação, ainda mais se esta relação é madura, duradoura e traz a felicidade.

O frio pode ter suas desvantagens, entretanto, as noites são mais bonitas, as tardes com cores perfeitas e o dia com céu azul profundo.

sexta-feira, junho 01, 2007

Ária de mandingado

Quiseram me derrubar
meu Deus caminhou comigo
Provocaram a ira nos portais do inferno
Intentando contra mim
Mas as chamas divinas
combateram o fogo demoníaco

Vendaval alijado pela brisa dos céus
Escamas partidas de monstruosas figuras
Torvelino de forças se mediam
Batalha incessante se travou

A quem quieto está a defesa chegou
Chispas haviam me alcançado
Porque débitos eu merecia
E o limiar da batalha brotava

Nome meu do sagrado para o altar vil
Para que captassem a vítima
Malta se levantou
Numa torrente de pesadelo

Poder algum pode contra os filhos da Luz
Guardiões se postaram
Espadas douradas o ar cortou
Derribando cabeças e seres

Recado foi dado
Não se mexe na cumbuca
Sem se queimar
Não se carrega patiguá
Se medrar pela mandiga

segunda-feira, maio 28, 2007

Especialmente você

Hoje você pode tudo!
Deixe que sua auto-estima conduza sua pessoa aos lugares que te deêm a verdadeira sensação de ser uma pessoa maravilhosa.
Hoje é seu dia!Dia de permitir-se, dia de fazer algo só para você, sem dor na consciência.
Você quer e você pode!
Presenteie-se com aquilo que levantará seu alto astral.
Dias especiais assim somente acontecem raramente.
Não titubeie, corra atrás de seu sonho imediato.
Pense que você é cria da terra e do Universo e estes projetaram você para que você possa, vença e galgue melhores degraus.
Suas esperanças podem se concretizar, basta você desejar, colocar em ação e aguardar os resultados.
Pense que você pode, que você é especial. Afinal, você, de fato, é especial.
Alguém lhe vê assim, além de Deus.Você é especial porque é único, cria ímpar do universo divino.

quinta-feira, maio 24, 2007

Salve Santa Sara!


Hoje e amanhã (24 e 25 de maio) homenageia-se a SANTA SARA KALI, a cigana escrava que venceu os mares com sua fé e virou Santa
Conta a lenda que Maria Madalena, Maria Jacobé, Maria Salomé, José de Arimatéia e Trofino, junto com Sara, uma cigana escrava, foram atirados ao mar, numa barca sem remos e sem provisões.

Desesperadas, as três Marias puseram-se a orar e a chorar.
Aí então Sara retira o diklô (lenço) da cabeça, chama por Kristesko (Jesus Cristo) e promete que se todos se salvassem ela seria escrava de Jesus, e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito.

Milagrosamente, a barca sem rumo e à mercê de todas as intempéries, atravessou o oceano e aportou com todos salvos em Petit-Rhône, hoje a tão querida Saintes-Maries-de-La-Mer.
Sara cumpriu a promessa até o final dos seus dias.Sua história e milagres a fez Padroeira Universal do Povo Cigano, sendo festejada todos os anos nos dias 24 e 25 de maio.

Segundo o livro oráculo (único escrito por uma verdadeira cigana) "Lilá Romai: Cartas Ciganas", escrito por Mirian Stanescon - Rorarni, princesa do clã Kalderash, deve ter nascido deste gesto de Sara Kali a tradição de toda mulher cigana casada usar um lenço que é a peça mais importante do seu vestuário: a prova disto é que quando se quer oferecer o mais belo presente a uma cigana se diz: "Dalto chucar diklô" (Te darei um bonito lenço).

Além de trazer saúde e prosperidade, Sara Kali é cultuada também pelas ciganas por ajudá-las diante da dificuldade de engravidar. Muitas que não conseguiam ter filhos faziam promessas a ela, no sentido de que, se concebessem, iriam à cripta da Santa, em Saintes-Maries-de-La-Mer no Sul da França, fariam uma noite de vigília e depositariam em seus pés como oferenda um Diklô, o mais bonito que encontrassem.

E lá existem centenas de lenços, como prova que muitas ciganas receberam esta graça.
Para as mulheres ciganas, o milagre mais importante da vida é o da fertilidade porque não concebem suas vidas sem filhos.

Quanto mais filhos a mulher cigana tiver, mais dotada de sorte ela é considerada pelo seu povo.
A pior praga para uma cigana é desejar que ela não tenha filhos e a maior ofensa é chamá-la de DY CHUCÔ (ventre seco).

Talvez seja este o motivo das mulheres ciganas terem desenvolvido a arte de simpatias e garrafadas milagrosas para fertilidade.
Salve Santa Sara!

segunda-feira, maio 21, 2007

Navalha na carne

Uma vez mais veremos a mesma cena:
Uma pizzaria onde senhores e excelências comemorarão a impunidade. Nada de inquéritos criminais que cheguem até o fim.

Mais um esquema de fraude a licitações e obras públicas que ninguém viu e ninguém sabe. Comissões de ética que levam até às pizzas.

Mas, a tal "Operação" que tenta desbaratar as baratas (seres asquerosos), me lembrou um instrumento que é uma arma branca, usada em várias ocasiões da história, a Navalha.

A navalha é uma arma carregada de simbolismo, tendo sido usada por mafiosos italianos até meados do século XX, e ainda se mantendo presente em certas regiões de grandes cidades com presença da máfia italiana.

Máfia italiana leva-nos à máfia dos trópicos e à malandragem. Aliás parece estar em nossa cultura a raiz deste mal: a malandragem impune.

O malandro condensa em suas características o contexto social do Rio de Janeiro de fins do século XIX e início do século XX. O malandro era um desocupado que vivia de bicos ou serviços de "proteção" para prostitutas ou moradores e comerciantes de determinada região. Ia dormir já com o sol, acordava ao meio-dia e saía para a rua. Carregava sempre consigo o chapéu e a navalha. Os malandros faziam parte de organizações do submundo urbano. O malandro nunca usava arma de fogo, só navalha, que sempre carregava no bolso fundo de sua calça branca larga e de boca estreita, junto com o dinheiro, baralho de cartas marcadas e fumo. O paletó do malandro deveria estar sempre aberto. Compunham ainda o figurino a camisa e o lenço de seda que, segundo a lenda, cegava o fio da navalha e a botina de bico fino. O jeito de capoeirista fica evidente no gingado do andar, que permite rapidamente a posição de combate. Além da seda, o chapéu na mão esquerda também servia como defesa nas lutas.

Enfim, hoje vemos malandros paramentados igualmente ao boemio dos séculos anteriores. Terno, gravata, ginga e a navalha para explorar e viver de bicos e favores, marmotagens e outras contravenções. Impunidade é o toque especial que diferencia este malandro do século XXI.

Um excelentíssimo deputado nos deu um conselho sábio : "o povo precisa colocar tranca nas portas..."
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