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segunda-feira, março 26, 2007

O tempo e o vento

Pois é, o tempo é implacável, jamais espera alguém, nunca congela as coisas.

Após anos de juventude, a idade da velhice chega devagar e vai se instalando em cada célula do corpo.
Não sou exceção à essa inexorabilidade.
Meus olhos passaram a se cansar e pregando-me pequenas peças.
Certo dia simplesmente não pude ler letreiros ao longe.
Deitei meu orgulho e fui à um especialista. Saí de lá com uma receita nas mãos para confeccionar óculos, pupilas dilatados e a sensação que a senilidade instalou-se neste corpo quarentão.

O que virá pela frente? O óbvio mas inquietante futuro das limitações físicas.
Alguns Cabelos grisalhos, alguns pêlos da barba grisalhos, olhos desfocados e algumas células neuronais que já foram para o espaço é sinal de novos tempos para um velho cidadão do mundo, eu.

Bem, com hipermetropia, astigmatismo e tudo mais, o tempo passa e passou. O consolo é poder dizer que se adquire experiência de vida (que belo prêmio de consolação).

Quem sabe se terei capacidade de blogar minhas deficiências causadas pela idade quando meus dedos estiverem carcomidos pelo reumatismo?Hehehe

domingo, março 25, 2007

Reverência ao destino

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.

Difícil é expressar por atitudes e gestos o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.


Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer ” oi " ou ” como vai ? "
Difícil é dizer "adeus". Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que somente uma vai te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.


Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.

(Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, março 23, 2007

O Panda yin-yang de cada pessoa








Em alguns posts, eu adoro viajar no simbolismo. Sou adepto da inserção de rituais e simbolismos na nossa vida.
Parábolas contadas pelo mestre Jesus expressam por imagens ou clichês idéias sem dizer muito com palavras.
Se observar a filosofia implícita do símbolo Yin-Yang derivado do Taoísmo (ou Tao Absoluto), vemos o verso e o reverso da condição humana.



O Yang é o branco do símbolo, representa o masculino
O Yin é o preto do símbolo, representando o feminino


Pelo princípio do Tao, nenhuma dessas qualidades é boa ou má. São opostas e complementares.
São dois lados que se equilibram pela existência um do outro.
O lado Yang tem em si, uma parcela do Yin e vice-versa.
Infelizmente, nossa mente ocidentalizada precisa estabelecer que o "bem" é bom e o "mal" é ruim, em função de nossa forma racionalizada de ver as coisas de modo dicotômico (é ou não é, certo ou errado, direita ou esquerda, sim ou não, etc)
Então vemos o símbolo Yin-Yang como forças opostas se gladiando, existindo em função da eterna luta do bem contra o mal.


Mas, o próprio ser humano não é em si um ser dicotômico. Ele parece mais como um panda, que é o próprio símbolo vivo do Yin-Yang. Tem patas negras e cabeça branca. Orelhas negras e peito branco.
Simbolicamente podemos dizer que há no ser humano parcelas equitativas de elementos opostos ou na melhor definição, que se complementam.

Temos dentro de nós tanto sentimentos de raiva e ódio como amor e compaixão. Um momento estamos nos céus e em outros criamos o próprio inferno, caminhando literalmente na corda bamba do paradoxo emocional.

Nossas ações seguem os conselhos emocionais.

Masculino e feminino podem co-existir dentro de nós e antes que pensem que isso é papo de homossexual, alerto para que não seja preconceituoso e que estou apenas falando sobre elementos naturais e complementares que vemos dentro de nós. Há homens sensíveis sem perder a masculinidade e mulheres bravas e guerreiras sem perder a ternura. Pais que se viram como verdadeiras mães e mães que assumem o papel do pai numa sociedade em cada vez mais a mulher ocupa o seu espaço.

Bem e mal convivem em nós nas pequenas ou grandes ações.
Dúbios que somos podemos deixar as asas angelicais crescerem junto com o rabinho demoníaco.

Somos o 8 e o 80.

Mas voltando ao conceito sábio do Yin-Yang, seguem mais informações:

As sete leis
Todas as coisas são diferentes manifestações da unidade infinita
Nada é estático: tudo se transforma
Todos os antagonismos são complementares
Não existem duas coisas absolutamente iguais
Tudo possui frente e verso
Quanto maior a frente maior o verso
Tudo que tem início tem fim





Os doze Teoremas
Os doze teoremas são complementos das sete leis e podem nos ajudar a compreender a polaridade universal.
Yin e Yang são os dois pólos da pura expansão infinita: elas se apresentam quando a pura expansão atinge o ponto geométrico da bifurcação.
Yin e Yang surgem continuamente da pura expansão infinita
Yang é centrífugo; Yin é centrípeto; Yin e Yang produzem energia
Yang atrai Yin e Yin atrai Yang; Yang repele Yang e Yin repele Yin
Yin gera o Yang quando potencializado e Yang gera Yin quando potencializado
A força de atração ou de repulsão entre as coisas é proporcional à diferença entre os seus componentes Yin e Yang
Todo fenômeno é produzido pela combinação entre Yin e Yang em variadas proporções
Todos os fenômenos são efêmeros devido às constantes alterações das agregações dos componentes Yin e Yang
Nada é exclusivamente Yin e Yang: tudo tem polaridade
Não existe nada neutro; Yin ou Yang estão em evidência em qualquer situação
Grande Yin atrai o pequeno Yin; o grande Yang atrai o pequeno Yang
Todas as concreções (solidificações) físicas são Yin no centro e Yang na periferia

Assim caminhamos com pernas negras, olhos negros, coração branco, mente branca, mãos negras e orelhas negras






Com este post não pretendo julgar ou dar soluções, apenas faço diagnóstico da alma humana.

quinta-feira, março 22, 2007

Dia Mundial da Água


Hoje comemora-se o Dia Mundial da Água. Mas o que devemos comemorar de verdade?


A falta de ações para a preservação adequada deste bem limitado ou a escassez progressiva deste líquido divino que já afeta milhões de seres humanos que vivem na faixa da pobreza?


Parece que só haverá ações concretas quando as garrafas de água mineral Perrier faltarem nas mesas de quem tem força para mudar leis e costumes.


Na lista Forbes há 891 bilionários espalhados no mundo. Estes caras estão mesmo com escassez deste líquido? Certamente que eles podem comprar e mandar trazer, assim, nada farão a favor do bem mundial. Raros são os bilionários que estão engajados nesta luta.


E o povão, está mesmo preocupado com a água? Vemos lixo boiando em rios, lagoas recebendo dejetos humanos dos esgotos residenciais. Problema dos governantes resolver isso? De jeito algum! O povo tem que parar mesmo de achar que todos os seus problemas devem ser resolvidos por governantes.


As ações podem iniciar numa mudança consciente de hábitos.


Aqui no Brasil temos abundância de água e falta de educação ambiental da população. Nós deixamos vazar muita água de nossas torneiras porque isso é barato, não sai de nossos bolsos. Banhos prolongados e quintais lavados com mangueira. Gastamos sem a preocupação.


Há estudos científicos de que perdemos água inclusive para o Universo, isto é, moléculas de água desgarram-se da atmosfera terrestre e se perde no espaço. Isso aconteceu inclusive com nosso planeta irmão Marte. Então desperdiçamos algo que já perdemos naturalmente por efeitos físicos.


Há um livro de Camille Flammarion, chamado "Fim do Mundo", trata-se de uma ficção passada no século XXV onde o planeta Terra agoniza. O ser humano busca, neste enredo, gerar oxigênio a partir da "quebra" da molécula de água (H2O) uma vez que a atmosfera está ficando escassa. Neste processo físico usando a eletricidade, eletrólise da água, destrói-se definitivamente a água, para gerar compostos gasosos. O final desta ficção é óbvio - o fim do mundo, em função do fim da atmosfera e da água por exaustão deste processo chamado eletrólise.


Então o que somos com trilhares de dólares no bolso e sem água e atmosfera? O que somos como raça humana evoluída sem os elementos físicos e naturais que a natureza nos deu? Para onde vamos acumulando riquezas monetárias e nada fazendo para o nosso próprio lar? O que beberemos se literalmente defecamos sobre a própria água?


Sem hipocrisias, não me excluo do rol daqueles que disperdiçam água de um modo ou de outro, nem daqueles que sujam a água em qualquer grau. É um exame de consciência para toda a raça humana.


Afinal este planeta é nosso ou somos mais uma espécie de seres vivos que apenas habitam, como os demais, a Terra? Creio que não somos dono de nada daqui, somos apenas locatários com prazo de validade.

terça-feira, março 20, 2007

Ah, o Outono!



A minha estação preferida chegou!



Adoro as sombras longas das árvores, nas tardes coloridas e de céu azul intenso.
Gosto da temperatura amena, nem fria e nem quente, em que se incentiva caminhadas matutinas, leituras vespertinas e apreciação noturna de vinho.

Romantismo, fondues, agasalhos leves, roupas elegantes...

Estação bucólica, preguiçosa e precedente do frio de verdade.

A umidade não mais castiga asmas.

E a cor do sol é puro ouro !

O Plátano (Platanus) representa em seu esplendor o que é o outono

Casa de chá, encontro de amigos, conversas mais próximas, passeios de carro...
Luares em noites brilhantes. Estrelas mais nítidas.
O Outono é caracterizado pelo amarelar das folhas das árvores, que indica a passagem de estações.
O Outono do hemisfério norte é chamado de "Outono boreal", e o do hemisfério sul é chamado de "Outono austral".


Poema de Outono
(http://mulher50a60.weblog.com.pt/)

O vento soprou
Tão doce e sereno
Tocou-me ao de leve
Girou sentimentos
Dormentes, silentes
Que em voo rasante
Tocaram o chão

O fundo da alma
Fez-se de cor de ouro
Castanho ou laranja
Deu frutos já secos
De um doce amargo
Surgiu o Outono
No meu coração.
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